Estamos agora, aqui, eu e você. Eu, à beira de uma TPM,
comendo chocolate como se não houvesse amanhã; você, imagine se não estaria,
oras!, dormindo, claro. Antes de pegar o computador e começar a esboçar essas
letras, fui à cozinha e, na volta, como de praxe, abri a porta do quarto das
nossas filhas... MEU DEUS! Eu disse “nossas filhas”?? Acho que sim. Peraí,
deixa eu voltar essa fita: “quarto das nossas fi...”. Caramba, é verdade, nós
temos filhas!!
Eu me pergunto, quase sempre, como assim o mundo é hoje como
é se há três anos eu dele nada sabia e ele, coitado, tampouco me conhecia!? E
eu mesma me respondo que não sei, que só sei que foi assim. E assim é e assim
será: eu, você, nossas filhas, nossa família, nossa casa, nossas alegrias,
nosso amor, nossas brigas, nossos acertos e ajustes, nossos dias brilhantes e,
por vezes, enevoados. Mas, acima de tudo e mais importante: nosso encontro.
Aquele momento, exato segundo, que te vi chegando, e soube,
tive certeza, que, na estrada imaginária da vida, era como se eu estivesse
dirigindo numa via pela primeira vez, sem ver placas, sem reconhecer
arredores, sem bússola, celular ou GPS, e visse, de repente, surgir à frente um
letreiro luminoso dizendo: “vem, que é por aqui”. E, então, as
janelas se abrissem e, do lado de fora, num vilarejo amigável, saíssem de suas casas rostos familiares que me olhassem como se já me conhecessem e aguardassem pro almoço, esbanjando um largo
sorriso traduzível em um “pode entrar". E eu pensasse: “Putz, cheguei!”,
mesmo sem saber para onde estava indo.
Pois foi justamente essa a sensação eterna e irrevogável,
fresca e assertiva, que, há exatos três anos, você trouxe aos meus dias: muito
mais do que amor, carinho, tempo, cuidados, confiança, verdades, naturalidade, você
me deu uma família – e todos os seus significados e suas possibilidades.
Olívia e Helena são pessoas incríveis, filhas biológicas
suas e vidológicas minhas. Criei esse termo para definir a relação que temos,
eu e elas, que sempre existiram no meu imaginário, nos meus sonhos acordada, no
meu coração. O que eu não sabia era que tê-las no dia a dia, de verdade, em
carne, osso, alma, emoções, seria tão mais maravilhoso do que algum dia eu
possa ter imaginado. E digo isso porque, com certeza, a maravilhosidade da
existência delas é por serem, desde sempre, um sonho conjunto, realizado passo
a passo, minuto a minuto, lágrima a lágrima, alegria a alegria. Dividir todas
as glórias, aflições, dúvidas, certezas, erros e acertos da maternidade com
você faz ser assim.
E, por isso e por muito, muito, muito mais, eu só posso te
agradecer e agradecer à vida (ou a quem quer que, lá de cima, esteja movendo
nossos pinos neste louco tabuleiro) por ter te encontrado. Parafraseando a mim
mesma, acho que eu andava “tão
à procura de mim que encontrei você”.
Contrariando a vontade que tenho de seguir falando sobre nossa
vida, sobre você, sobre mim com você, sobre o que imagino pra nós e sobre como
pretendo ser surpreendida em minhas expectativas pelo que definirem o acaso e o
desenrolar natural da vida, essa carta vai chegando ao fim.
Que hoje, dia dois de fevereiro, dia de Iemanjá, a
comemoração do nosso terceiro ano de conhecimento sele a união, aumente ainda
mais o companheirismo, fortaleça as estruturas, ilumine os passos e sejam os
primeiros de todos os outros.
Com todo o meu amor, minha admiração e perplexidade, para
você, mulher dos meus sonhos, dos meus dias, da minha vida. Casa comigo hoje, de novo e sempre.


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