sábado, 19 de setembro de 2015

Contraluz

Você dorme e eu te olho. Com calma, longe da correria que têm sido nossos dias, reparo nos seus detalhes: o desenho irregular que alguns fios soltos de cabelo fazem contra a luz, a cabeça relaxada vencida pelo cansaço, a jugular traduzindo o ritmo do coração, as micromarcas na pele que se constroem todos os dias. Ao mesmo tempo em que te olho, ouço o ressonar das nossas filhas, que dormem tranquilas a centímetros dos nossos corpos, na certeza de que estão seguras e sendo amadas. Volto a te olhar e, então, sinto a admiração por você ter trazido elas ao mundo até nós. Admiração pela sua natureza. Admiração pela sua coragem. Admiração pela sua força, por seu instinto, por seu amor, pela sua feminilidade. Ainda penso em surrealismo ao lembrar que Olívia e Helena foram feitas dentro do seu corpo - levo um susto a cada vez que faço a mesma constatação e me encanto um pouco mais de nós. Nós 4, nossa família.

Por isso e muito mais, obrigada, meu amor: elas são maravilhosas! 

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