quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Dois meses


Dois meses, 61 dias, 1/6 de ano, um bimestre, etc. Há várias maneiras de se referir a este relativamente curto período de tempo que fez minha vida dar uma guinada de 180 graus.

Em dois meses, eu saí de um emprego, sem ter outro em vista, e decidi que apostaria todas as fichas em mim; terminei um namoro de dois anos nas mesmas condições e, milagrosamente, tenho me mantido solteira; passei, então, a lidar com a solidão de dormir e acordar todos os dias tendo como companhia somente meus pensamentos e a constante dúvida sobre ‘o que fazer deste dia que começa?’; e estou (ainda) aprendendo a ser uma Roberta-sem-rotina – o que é tarefa árdua para uma pessoa hiperativa e controladora.

E, ainda que reticente quanto à distribuição dos pesos nesta balança, o que importa é que este tudo-novo-de-novo tem me feito descobrir, a duras penas, decerto, que, de dentro de mim, há cuidado e carinhos sendo arrancados e derramados sobre uma pessoa que nem sempre (ou quase nunca, para melhor dizer) foi bacana comigo: minha avó de 92 anos, internada 2 vezes, desde o início de dezembro.

E, não sei bem se por alguma artimanha do destino ou alguma piada interna do universo, é com ela que tenho aprendido a jogar xadrez com a morte, a valorizar ainda mais a chance de se ter uma vida bem vivida e a dar importância ao que realmente a tem.