terça-feira, 24 de abril de 2012

Lembrarei de uma vida


Talvez, aos 27-quase-28 anos, eu já esteja um pouco senhora de idade e de mim mesma para falar de infância, mas voltar a ela é entender as coisas como são, sem as lentes da maturidade, as mesmas incapazes de enxergar irrealidades.

É tornar a acreditar que componho meu destino com as notas que de mim foram extraídas durante a vida. Das lembranças, das sensações, das visões e dos sonhos. Das experimentações sem fim, que, precocemente, me fizeram conhecer os delírios do calor e o cansaço do frio.

Quando aprendi a analisar as coisas e pessoas? Não sei. Quando aprendi a falar-lhes sobre essas descobertas? Tampouco. Mas, quando parei para pensar no que pensava, enlouqueci.

Assim, tenho a certeza de que, quando velha eu for, lembrarei de uma vida, da minha história, que a ninguém mais pode fazer sentido, que não àqueles que me conheceram.

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