segunda-feira, 12 de março de 2012

27 anos

27 é uma idade muito engraçada:

Você não quer mais a presença constante de seus pais e irmãos, embora adore mostrar a eles que sabe cozinhar, lavar, manter seu emprego e sua casa em ordem.

Por vezes, você chega a pensar que a chave de tudo é ter um filho. Sim, é isso: um alguém merecedor da sua dedicação e a quem seus êxitos sejam computados como valores futuros! Mas vem a necessidade de ver-se em paz, lendo em silêncio, sem quem grite o seu nome a cada vez que não souber o que fazer. Você nota que, ao seu lado, tem sempre um cigarro aceso e que, vez por outra, sente vontade de mandar toda aquela papelada às favas, ligar para um amigo e varar a noite tomando um chope e conversando sobre as urgências da vida. Nada de criança, por enquanto.

Daí, ao fim de cada pensamento como este, você acaba tendo a clara certeza de que seus carinhos e cuidados, no momento, estão mesmo é voltados na intenção do ser amado; não exatamente aquele que figura linearmente em sua árvore genealógica, mas aquele com quem você iniciará uma nova ramagem. Aquele com quem deseja ver TV; ir ao supermercado numa eterna discussão do que fazer para o jantar; cozinhar, mesmo perante todas as divergências de paladares; apreciar besteiras cotidianas ou conversar sério – mesmo que sem certezas - sobre os possíveis caminhos que a vida pode tomar.

Que me desculpem o clichê, mas os amores e flertes do passado viram medalhas no peito e, sim, porém apenas, motivo de muito orgulho: caso não tivessem existido, você não se saberia, aos 27, capaz de amar tanto a um só.

Um comentário:

Blog "da" Broto disse...

E como é pleno e faz tão bem.