
Conclusão da noite: quanto mais inquietações se tem, mais a vida te prova o quanto non sense pode ser. Imagine a cena:
Após horas de uma conversa permeada de colocações relevantes como “Sim, tá tudo errado”, que, às vezes, se transforma, por uma ponta de lucidez, em “Ok, precisamos fazer algo”, eis que um engraxate, morador de rua, me aparece pedindo um cigarro. Ouve-se, saindo de seu corpo, uma música decifrável tocar. É “Daniel na Cova dos Leões”, do Legião Urbana, reproduzida por um Blackberry (sim, um autêntico). Ao mesmo tempo, inicia-se o discurso que envolve Deus, Eva, Adão, a coitada da Serpente (ou Lúcifer, mas só para as mulheres), a Maçã e os 4 rios da ocasião, enumerado da seguinte forma:
“Tigre... Qual o outro mesmo? Isso: Eufrates... Quê mais? Ah, aham, o Jordão... (com ar de desistência) E aquele outro lá”.
No fim das contas, aconteceu o seguinte, gente: Deus saiu para passear depois da Criação, Adão se ausentou e a Serpente murmurou para Eva, sem encontrar resistência: “Pô, fala a verdade... Olha Adão aí te subestimando. É isso mesmo o que você quer? Vem aqui dar uma mordidinha na maçã, vem”.
E daí acabou-se o Éden, secaram-se os rios e cá, agora, estamos nós, humanos, sem referência alguma sobre o que se passa, vivendo feito almas penadas num limbo criado por nossa própria ignorância e almejando um mundo que mora, adormecido, dentro de cada um de nós.
Sem mais, Meritíssimo. Tá tudo respondido.

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