segunda-feira, 4 de julho de 2011

Carta à minha mãe

Por mais que de contra vá a realidade sua, hoje, daquela em que acreditou, durante toda a vida, que viveria, sendo eu, em parte, dela culpada, o mínimo e máximo que posso dizer-te, no intento de acalmar-lhe os nervos, é que, a contraponto, só você a tem. Portanto, abrace-a fortemente e não a deixe ir-se. Permita que ela encontre, em seus braços, os abraços necessários pra florescer, se - por enquanto e muito provavelmente - não em crianças correndo pelo quintal, ao menos em graça, amor e anseio enorme de acerto em busca da felicidade. E neste mesmo quintal.

A você somente, e somente a você, a sua vida pertence. E, nela, estão, inexoravelmente, a dor e os acidentes geográficos, sim, mas também a doçura e a realidade – que vão, para todo o sempre, conflitar, entre si, em busca do que há de mais sagrado na vida de qualquer um que a Terra habite: os motivos próprios para abrir um largo sorriso.

Sorria e viva. Sem peso. Sem mágoa. E, sobretudo, sem culpa.

Somos, nós, apenas (e tudo isso) mais um. Pois, para tudo nessa vida, lembre-se, será sempre a primeira vez.


Te amo.


Do fundo mais fundo da minha admiração - e ainda "com a perplexidade de criança".

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