sábado, 21 de maio de 2011

Morrer em vão

Passamos a infância testando os limites do nosso corpo. Para isso, brincamos, caímos e nos damos o direito irrestrito de nos machucar. Só que criança, providencialmente, não sente dor. Ou melhor: cria mecanismos para esquecê-la e logo recomeçar o quebra-quebra.

Na adolescência, fazemos o mesmo, mas com novo foco: também através do corpo, mas testando agora as emoções. Mergulhamos fundo no anseio por descobrir nossos defeitos e nossas qualidades. Estas, faremos questão de exaltar pro resto de nossas vidas. Já os defeitos, passaremos a vida adulta inteira tentando reverter. Já não usamos mais o corpo, mas pessoas. O outro passa a ser então o mais fiel retrato de nós mesmos.

Daqui pra diante, não sei mais o que dizer. Apenas posso contar com o que aprendi e continuo aprendendo desde o tempo retratado na primeira linha deste texto para imaginar o que se segue. Por isso, acho que ninguém morre no erro. Só quando morre em vão.

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