Trilha sugerida: “Todo Errado”, de Caetano Veloso e Jorge Mautner
Sabe aqueles dias em que você acorda com um L gigante na testa? Pode ter certeza: é de “Looser”. Você levanta atrasada, entra no banho e, ao sair, percebe que engordou um tiquinho durante o fim de semana. Fecha o chuveiro e nota que sua mãe estendeu sua toalha na área de serviço. Então, você se contorce inteira para usar a toalha de rosto mesmo. Olha no espelho e identifica milhares de microespinhas espalhadas pela zona T do rosto – que já está oleoso por causa da temperatura elevadíssima.
Você escolhe uma roupa e pensa: “Tudo bem se não ficar boa, afinal de contas, quase ninguém, exceto a dona da empresa, se veste bem”. Maaaas, chegando ao trabalho, pelos pecados, é dia de reunião com funcionários de todas as partes do país. Ok, fica quietinha no seu canto e evita levantar até para ir ao banheiro.
E é a partir daí que começa sua trajetória descendente: você fala e não te ouvem; tenta desabafar, mas seu assunto não desperta o interesse de ninguém; suas piadas não colam; para ganhar 3 segundos de atenção, você pensa que só mesmo forjando um ataque cardíaco no meio do salão. Ou nem assim.
Você percebe uma ponta de je ne sais quoi no tom em que sua amiga e sócia escreve na conversa via Skype. Ela fala de equipamentos ultramodernos que você desconhece. Ela faz referência a uma tal aula que vai ter à noite...Mas são tantas aulas e professores e nomes, da sua e da vida dela, que tudo te confunde. Em seguida, ela faz um alerta sobre um ponto estratégico de trabalho que ainda não havia sido tocado. Bola fora: você fica de boca aberta, tentando, em vão, fazer com que seu cérebro se oxigene e uma inspiração divina baixe naquele momento, sobre aquele assunto. Missão inglória.
Então, você começa a aceitar que sua nave-mãe te largou na Terra e não vai voltar para buscar (nem mesmo vai retornar seus chamados), porque nem sua namorada te quer mais. Na verdade, ela não te entende: nem seus horários, nem seus limites, suas vontades, seu trabalho, seu empenho, seu suor, tampouco sua boa vontade, etc. Ou seja: nem para ela você conseguiu provar que talvez esteja no caminho certo.
Daí, você lembra que hoje faz exatamente 4 semanas que começou no emprego novo... E o mais importante: sua última menstruação chegou no terceiro dia de trabalho. Então, desconsidera tudo isso que saiu em forma de desabafo, quase protesto: você está de TPM.

Um comentário:
Nossa! Q desabafo!
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