Estar sozinha não significa abrir mão do que está fora, mas mergulhar naquilo que sou. É achar, lá no fundo, felicidade em saber que não sou soberana. Porque isso me faz pensar na dor do outro, a quem deixo claro - em todas as letras - também não ser dono de mim. E assim me aproximo da humanidade.
Este momento, mais do que qualquer outro, é de autoconhecimento, de quebra das ilusões, de “decepções” dentro de mim. De me conhecer, e me saber, de ver enxergar sob o meu prisma e não sob o do outro, que sempre me floreia.
A carnificina, neste caso, me encanta: me descarnar, me sangrar diante do outro – este, um escolhido, seja por destino, por coincidência ou por afinidade.
Talvez seja a hora de mudar o discurso, ou, quem sabe, de fazê-lo valer em ipsis literis. De ser menos cruel comigo mesma, justamente, por saber-me mais íntegra. De saber e assumir que estou quebrando a cara, de que não valho nem mais nem menos do que valho.
Não quero vender aquilo que não sou. Não quero mais corresponder ao outro. Não quero mais impressionar, porque sei que não sou capaz (ou simplesmente não vou querer) manter as aparências para todo o sempre.
Não quero a ninguém, porque sei da minha capacidade sutil de escravizar o outro que me quer. Não de forma maquiavélica, mas disfarçada de doçura, gentileza, espontaneidade, de uma suposta paixão irrefreável.

Nenhum comentário:
Postar um comentário