terça-feira, 8 de junho de 2010

La Bohème


Eu sou a imagem esfumaçada de um boêmio pelos corredores vazios de uma cidade no instante que ela dorme. Eu sou um cão vadio, que foge de casa para sentir o frio da rua, sempre sozinho, à espera do que tem a lhe oferecer o acaso. Aquela que, aos 6, não quis queria ser paquita, e, sim, eremita. Mas se perdeu num mundo cheio de regras e imposições. E descobrir quem eu sou tem sido das lutas a maior.

Eu não esqueço nunca. Nada. Em hipótese alguma. Quer dizer, esqueço só meus afazeres, o que me soa sem importância. Mas coisas, pessoas, instantes, músicas, sentimentos, nunca. Por isso mudo a cada instante. Todo rosto que me passa, toda voz que me fala, são parte do que sou.


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