
Naquele dia – e também em conseqüência daquele outro, em que verdades foram ditas - ela cresceu.
A bebida não era mais o habitual chope. Era agora destilada, rascante ou ardente.
A pose, de quem não sabia mais nada – exatamente como são todos aqueles que crescem.
A cadeira vazia à frente traduzia a longa espera pela qual passara uma vida inteira. Será que ainda assim aquele alguém chegaria? Sentaria ou invadiria aquele espaço que se encontrava a leilão?
Fronte cerrada, mãos limpas e leves no toque à caneta, uma suave brisa na nuca avermelhada e uma pressão bem forte entre os olhos – bem lá no fundo, onde olhos e nariz são uma coisa só – que vinha junto às lembranças da noite anterior, que também não havia sido a única.
Agora, que aquele primeiro trago fora dado, ela pensava, levando goela abaixo um sabor amargo: a vida tomaria seu próprio rumo.

2 comentários:
Cada dia mais bonita. x)
A cadeira vazia a nossa frente pode tomar várias formas no decorrer da vida. Mas apenas uma fará com que o gole amargo desça rasgando com o rumo que a vida tomou.
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