segunda-feira, 19 de maio de 2008

Informalmente


Naquele dia – e também em conseqüência daquele outro, em que verdades foram ditas - ela cresceu.

A bebida não era mais o habitual chope. Era agora destilada, rascante ou ardente.

A pose, de quem não sabia mais nada – exatamente como são todos aqueles que crescem.

A cadeira vazia à frente traduzia a longa espera pela qual passara uma vida inteira. Será que ainda assim aquele alguém chegaria? Sentaria ou invadiria aquele espaço que se encontrava a leilão?

Fronte cerrada, mãos limpas e leves no toque à caneta, uma suave brisa na nuca avermelhada e uma pressão bem forte entre os olhos – bem lá no fundo, onde olhos e nariz são uma coisa só – que vinha junto às lembranças da noite anterior, que também não havia sido a única.

Agora, que aquele primeiro trago fora dado, ela pensava, levando goela abaixo um sabor amargo: a vida tomaria seu próprio rumo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Cada dia mais bonita. x)

Anônimo disse...

A cadeira vazia a nossa frente pode tomar várias formas no decorrer da vida. Mas apenas uma fará com que o gole amargo desça rasgando com o rumo que a vida tomou.