Às vezes a gente ignora que aquela pessoa que tem um campo gravitacional muito grande à sua volta – e, fatalmente, acaba sempre atraindo olhares e atenções; ou aquela que é bonita por natureza; ou quem sabe aquela que fala alto sem se dar conta - pode, simplesmente, não se saber dessa forma. Pode não ser responsável pelo que os outros lêem das suas reações. A força quase nunca é tanta quanto parece ser. A ingenuidade e a autopiedade não declaradas quase sempre soam como uma fortaleza no semblante de quem é otimista, bonita, fala alto ou chama atenção.
Eu sou bastante assim: talvez por não me deixar abater por fora, ou não me dar por vencida com facilidade, acabo passando a falsa impressão de que posso ou - pior - devo agüentar o rojão. Mas não é nada disso: meu coração é mole feito mingau, minhas expectativas se diluem tão facilmente quanto um a pedra de gelo num dia de verão. Mas minha cara de 'winner' me derruba a possibilidade de demonstrar com clareza, sem precisar abrir o verbo, o impacto que causa sobre mim, por exemplo, o olhar negligente e a falta de atenção típicos do cotidiano.

Um comentário:
Estou na trabalho e pensando em você. Quis me aproximar e nada melhor do que ler você. Tua escrita é mesmo subjetiva, como deve ser. Espero vê-la outra vez, não pare de se escrever. Te perceber não foi difícil, difícil será te esquecer.
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