
Dos quase 23 anos que tenho, se somados e intercalados, coisa de uns 15 ou 16 inteirinhos eu me dediquei a somente observar coisas do dia-a-dia.
Um deles, posso dizer, foi muito bem gasto entre beijos e abraços: primeiro em homens, depois mulheres e hoje, mais sabiamente, em pessoas.
Outro ainda, passei debulhando-me em lágrimas, fossem de felicidade ou talvez rancores, pungentes dores ou extremos amores e furores.
Cabe também citar os 24 meses em que passei lendo. De encartes de supermercado a busdoor, passando por obras de altíssima literatura a mergulhos gigantescos de exploração da mente humana.
Uns três anos mais, devo admitir que usei para arrumar minha casa, separar minhas roupas, limpar meus espaços para, finalmente, ter um pouco mais de acuidade visual e panorâmica sobre o que se passa dentro de mim.
Nunca tive doença grave, mas me aproprio dos termos médicos para nomear os percalços sofridos durante toda essa junção de eras, que culminou neste ano mais recente, em que vim tentando me reerguer de inúmeras fraturas ósseo-afetivas da alma: Rompimento coronário. Dilaceramento venoso. Insuficiência respiratória devido a trauma local: o peito. Incontinência de lágrimas. Ataque nervo-neural. Epilepsia auto-imune. Torção de pernas, o que causa, invariavelmente, tropeções e arranhões. Fratura de ossos faciais, causada por incontáveis desilusões. Perda auditivo-emocional. Hipersensibilidade à falta de carinho. Hipertrofia sentimental. Imunodeficiência, por total exposição de sentimentos. Fibromialgia do maior músculo involuntário. Espasmos constantes da razão. Comas induzidos depois de cada briga, noite após noite. Alucinação e assombração permanentes. Cólera, em seu sentido literal e quase letal.
Agora, beirando uma nova fase, hei de confessar que nenhum desses sintomas me dói na carne, melhor ainda, na minha máquina maior de pensar: a cabeça, comandante de todo o resto. E se, por ventura, voltar a sentir fisgadas lá e cá, sei que não fazem parte de mim, então, alivio-me de não mais ter de repartir com elas o território sagrado do meu corpo.
Apesar do cigarro excessivo, os pulmões funcionam perfeitamente, deixando que o ar entre e saia do meu corpo com liberdade. E os dentes estão lindos, sempre à mostra. Mesmo usando óculos que muitas vezes não me ajudam muito, as retinas não filtram mais as cores da vida, como já era de costume. As indecisões cotidianas não me impedem de vislumbrar o grande e belo futuro – este que há tempos construo – que magnificamente baila à minha frente com a chegada iminente dos 23.
Um deles, posso dizer, foi muito bem gasto entre beijos e abraços: primeiro em homens, depois mulheres e hoje, mais sabiamente, em pessoas.
Outro ainda, passei debulhando-me em lágrimas, fossem de felicidade ou talvez rancores, pungentes dores ou extremos amores e furores.
Cabe também citar os 24 meses em que passei lendo. De encartes de supermercado a busdoor, passando por obras de altíssima literatura a mergulhos gigantescos de exploração da mente humana.
Uns três anos mais, devo admitir que usei para arrumar minha casa, separar minhas roupas, limpar meus espaços para, finalmente, ter um pouco mais de acuidade visual e panorâmica sobre o que se passa dentro de mim.
Nunca tive doença grave, mas me aproprio dos termos médicos para nomear os percalços sofridos durante toda essa junção de eras, que culminou neste ano mais recente, em que vim tentando me reerguer de inúmeras fraturas ósseo-afetivas da alma: Rompimento coronário. Dilaceramento venoso. Insuficiência respiratória devido a trauma local: o peito. Incontinência de lágrimas. Ataque nervo-neural. Epilepsia auto-imune. Torção de pernas, o que causa, invariavelmente, tropeções e arranhões. Fratura de ossos faciais, causada por incontáveis desilusões. Perda auditivo-emocional. Hipersensibilidade à falta de carinho. Hipertrofia sentimental. Imunodeficiência, por total exposição de sentimentos. Fibromialgia do maior músculo involuntário. Espasmos constantes da razão. Comas induzidos depois de cada briga, noite após noite. Alucinação e assombração permanentes. Cólera, em seu sentido literal e quase letal.
Agora, beirando uma nova fase, hei de confessar que nenhum desses sintomas me dói na carne, melhor ainda, na minha máquina maior de pensar: a cabeça, comandante de todo o resto. E se, por ventura, voltar a sentir fisgadas lá e cá, sei que não fazem parte de mim, então, alivio-me de não mais ter de repartir com elas o território sagrado do meu corpo.
Apesar do cigarro excessivo, os pulmões funcionam perfeitamente, deixando que o ar entre e saia do meu corpo com liberdade. E os dentes estão lindos, sempre à mostra. Mesmo usando óculos que muitas vezes não me ajudam muito, as retinas não filtram mais as cores da vida, como já era de costume. As indecisões cotidianas não me impedem de vislumbrar o grande e belo futuro – este que há tempos construo – que magnificamente baila à minha frente com a chegada iminente dos 23.

2 comentários:
"(...)a cabeça, comandante de todo o resto."
Você acha mesmo que é ela quem comanda tudo, tudo?
Acho que o músculo involuntário, vez em quando se 'voluntaria' a mexer aqui e ali...pra fazer sofrer ou pra fazer feliz...ou, simplesmente, pra fazer viver. Acho que vez em quando é ele quem manda, quem põe regras pro sobre os outros...involuntariamente, que seja. Mas, fatalmente, sem você esperar ele governa por sobre todos, inclusive a cabeça. Não?
*não sei se você percebe que tenho medo de escrever pra você qualquer coisa que esteja errada. corrigi quase tudo o que escrevi aí em cima pra poder enviar...*
Quando leio você imediatamente me leio.
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