
Hoje, depois de uma visita estafante - extremamente prazerosa, porém - ao lugar de onde tenho tirado muitos porquês da minha vida, fui 'de visita' ao MacDonald´s. A princípio, para acompanhar minha irmã – uma pobre famigerada, ela, coitada – e logo depois para me render e acabar pedindo também uma promoção pequena do MacDuplo com suco de laranja.
Ao entrarmos, já tarde de noite, resolvemos nos isolar de todas e quaisquer influências vindas das pessoas que estavam ali não sei bem o porquê. Preconceito bobo talvez... Bobo, sim, mas só até o momento em que no mesmo ambiente adentra uma família composta de pai, mãe, menino e menina. Todos se fartando daquela comida paupérrima de nutrientes dos quais as crianças precisam para um desenvolvimento sadio. Todos completa e absurdamente enfeitiçados por aquele ar industrial e agressivo que nós importamos de um país que não tem o nosso clima, que não tem o nosso cardápio, que não tem nossa cultura alimentar, que não tem o mínimo de charme, mas que tem, sim, a capacidade de convencer-nos de que o que vem de lá é bom, é bonito e é necessário. E assim, religiosamente, dizemos ‘amém’.
Crianças brincando? Não mais... Agora a diversão é digital. Momentos registrados? Não mais em casa ao redor de uma mesa e conversando, contando histórias. O negócio mesmo é ter o tal celular multifuncional, que faz as fotos ali mesmo. Impessoais... Tão impessoal a ponto de fazer com que essa família não tivesse trocado uma palavra sequer sobre nada que se referisse a eles mesmos. Triste.
Não culpo somente o MacDonald´s por essa real invasão em nossas vidas, tampouco a outros estabelecimentos que mais deveriam trazer à porta uma placa com o seguinte dizer: “Aqui jaz a união, a descontração e a beleza do ato de se sentar à mesa.” Mas, como eu também estava ali “saboreando” aquela MacNífica refeição junto àquelas pessoas que me causaram, de certo, algum desespero, não tive a decência de me pronunciar. Peguei minhas últimas batatas, engoli com decisão meu último pedaço de pão amassado e sem cor alguma, levantei-me e fui embora sorvendo satisfeita os meus últimos, porém, valiosos goles de suco.
É... às vezes, nem sempre ou quase nunca somos fiéis...

Um comentário:
muitos países nos convencem, e tb a muitos outros, não de que sejam melhores, mas de que nós só seremos bons se seguirmos suas condutas. é triste ver a coisa num contexto tão global, mas o que tem de lástima tem de simplicidade. é como um grupo de crianças que inicialmente só agrega semelhantes.
até que os semelhantes divergem e renovam-se os padrões para novas convergências. por enquanto nossa vasta cultura em extinção ainda não entrou no hall dos padrões às marias. e infelizmente no mundo de hoje, dominado pelo marketing, só sendo mto lobista pra ser o macaquinho que manda. não à toa, os maiores marketeiros do mundo têm, há um tempinho, usado a coroa de bananas. =[
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